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Junho Violeta: mês é dedicado ao alerta no combate do Ceratocone

18/06/2020

Foto: Reprodução Google

Em tempos de pandemia, orienta-se não colocar as mãos no rosto para evitar um possível contágio, mas quando um cisco cai nos olhos ou surge uma sensação de coceira, a reação mais comum é a de esfregar a região para diminuir o incômodo. Esse hábito, que parece ser inofensivo, pode não somente tornar os olhos uma porta de entrada para o novo coronavírus (Covid-19), como ser um dos fatores causais do ceratocone, doença que é o tema da campanha Junho Violeta promovida por profissionais da saúde e cujas estatísticas mostram, de acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, a incidência de um caso para cada duas mil pessoas.

O ceratocone é uma enfermidade não inflamatória que afeta a estrutura da córnea, camada fina e transparente situada na região anterior do globo ocular. É uma doença que deforma a córnea, fazendo com que ela afine, aumente sua curvatura e fique com formato de um cone. Essa alteração na curvatura impede a projeção de imagens nítidas na retina e pode promover o desenvolvimento de grau elevado de astigmatismo irregular ou mesmo de miopia.

O ceratocone pode causar visão embaçada, imagens “fantasmas”, visão dupla, dor de cabeça, sensibilidade à luz e coceira. Embora os sintomas possam ser semelhantes aos de outros problemas que acometem os olhos, a oftalmologista Dra. Andréia Peltier Urbano, do DayHORC, empresa do Grupo Opty, explica que a piora na visão pode ser mais rápida, fazendo com que o paciente troque de óculos e lentes com mais frequência. “É muito importante que, nesse momento em que vivemos, os pacientes diagnosticados com ceratocone não deixem de seguir o tratamento e continuem com o acompanhamento médico. E pessoas que sintam incômodos e redução da visão consultem um oftalmologista para identificar a causa”, afirma a médica.

Causas e diagnóstico – Apesar de consideráveis pesquisas, a causa do ceratocone ainda é incerta. Várias fontes propõem que o ceratocone surge de um número de diferentes fatores, dentre estes o genético, o bioquímico, o biomecânico ou o ambiental, sendo que qualquer um deles pode formar o gatilho para o início da doença. Há muitos indícios que o hábito de coçar os olhos seja um fator muito importante para desencadear o início da doença, pois é muito comum a associação de pacientes que costumam coçar os olhos, especialmente durante as crises de rinite alérgica, e que desenvolvem ceratocone. O hábito de dormir pressionando os olhos também pode estar associado com o surgimento do ceratocone em alguns casos. O ceratocone costuma aparecer na adolescência e pode progredir até os 30 – 45 anos. Geralmente ocorre em ambos os olhos, mas pode ser, também, unilateral, comenta a oftalmologista do grupo Opty.

Ainda de acordo com a Dra. Andréia, especialista em transplante de córnea, o diagnóstico pode ser feito pelo exame clínico nas fases mais tardias ou por meio de exames da córnea como topografia computadorizada de córnea (estudo da sua curvatura) e paquimetria (análise de sua espessura), que permitem identificar a doença nas fases mais precoces, ressaltando que no exame da tomografia da córnea os estudos da curvatura e da espessura da córnea podem ser feitos simultaneamente.

Tem cura? – O controle deve ser feito com realização de exames específicos para avaliação de provável progressão a cada quatro ou seis meses, dependendo da idade do paciente e do estágio evolutivo do caso. De acordo com Dra. Andréia, o ceratocone pode levar à cegueira reversível, ou seja, o paciente pode ter uma perda significativa da visão, mas pode recuperá-la com os tratamentos atualmente disponíveis.

Dependendo do avanço do ceratocone, as principais formas de reabilitação visual são com a prescrição de óculos e adaptação de lentes de contato rígidas corneanas ou esclerais, em casos mais leves. Já o crosslinking, é um método cirúrgico minimamente invasivo que vem se mostrando bastante promissor, indicado para os casos que estão evoluindo, para evitar a progressão da doença. “O procedimento consiste no fortalecimento das fibras de colágeno, que representam as pontes de sustentação da córnea, com o uso de radiação ultravioleta, associada a uma substância chamada riboflavina, que aumenta a rigidez biomecânica da córnea”, explica a médica.

Para os casos de ceratocone em que a visão não melhora com o uso dos óculos e lentes de contato, pode-se indicar o implante do anel intraestromal (Anel de Ferrara) e, para os ceratocones mais avançados, a realização do transplante de córnea. “Os tratamentos estão cada vez mais eficientes. Há novos tipos de Anéis de Ferrara que trazem melhor resultado pós-operatório e novidades nas técnicas de transplante de córnea, como o DALK (transplante lamelar anterior profundo), que diminuem consideravelmente as possíveis complicações cirúrgicas, principalmente a rejeição ao transplante”, finaliza a oftalmologista do Grupo Opty. Em 2019, conforme registra a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, foram realizados 14.943 transplantes de córnea no País, sendo o ceratocone a maior causa desse tipo de procedimento, de acordo com o Ministério da Saúde.